Mercado imobiliário em Portugal: o que dizem os dados em 2024?
O mercado imobiliário português atravessa um período de valorização sem precedentes. Em 2024, o preço mediano das transações de habitação atingiu 1.777€/m² a nível nacional, com algumas sub-regiões — como a Grande Lisboa (2.939€/m²), o Algarve (2.752€/m²) e a Área Metropolitana do Porto (1.986€/m²) — muito acima desse valor. Face a 2019, a valorização acumulada ultrapassa os 40%.
Esta subida não é uniforme. Portugal é um país de dois mercados: o litoral e as áreas metropolitanas, onde os preços aceleraram de forma expressiva nos últimos cinco anos, e o interior, onde a habitação continua acessível — com concelhos abaixo dos 700€/m² — e onde a procura está a crescer lentamente.
Os dados que apresentamos abaixo são calculados a partir do Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação (IABH) do INE — o valor que os peritos bancários atribuem a cada imóvel no âmbito de pedidos de crédito à habitação. É um indicador fiável e atualizado anualmente para os 308 concelhos de Portugal.
O que influencia o preço da habitação em Portugal?
Vários fatores explicam a trajetória ascendente dos preços nos últimos anos:
Procura internacional crescente. Portugal tornou-se um dos destinos preferidos de emigrantes europeus, brasileiros e cidadãos de outros países. Em 2024, mais de 1,5 milhões de residentes estrangeiros viviam em Portugal — 14,4% da população total. Esta procura adicional pressiona o mercado, especialmente em Lisboa, Porto e no Algarve.
Oferta de habitação nova limitada. A construção nova recuperou mas não acompanha o crescimento da procura. Em 2024 foram licenciados cerca de 42.000 fogos — insuficientes face à procura acumulada.
Crédito à habitação em recuperação. Após a subida das taxas de juro em 2022-2023, o crédito à habitação retomou em 2024 com força: o INE registou cerca de 140.000 avaliações bancárias — o maior valor desde 2009 e um aumento de 32% face a 2023.
Valorização do interior. Concelhos antes ignorados no Alentejo, Beiras e Trás-os-Montes estão a ganhar procura de quem trabalha remotamente e procura qualidade de vida a preços acessíveis.
Evolução da avaliação bancária em Portugal (2012–2024)
Fonte: INE — Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação. Média dos concelhos com dados disponíveis.
Avaliação bancária por distrito (2024)
De Lisboa (mais caro) ao interior (mais acessível). Clica num distrito para ver os dados detalhados.
Fonte: INE — Avaliação bancária. Média dos concelhos do distrito com dados disponíveis.
Todos os concelhos — avaliação bancária 2024
261 concelhos com dados disponíveis, ordenados do mais caro para o mais acessível.
Fonte: INE — Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação (IABH). Último ano com dados disponíveis por concelho.
Como interpretar estes dados
Os valores da avaliação bancária refletem a estimativa dos peritos das instituições financeiras no âmbito de pedidos de crédito — não são os preços de publicação dos imóveis nem necessariamente os preços finais de transação. Tendem a ser ligeiramente conservadores face ao preço de mercado real, mas constituem o indicador mais consistente e geograficamente abrangente disponível em Portugal.
A diferença entre concelhos é expressiva: o metro quadrado em Lisboa ou Cascais pode ser **seis vezes superior** ao de concelhos do interior como Sabugal ou Idanha-a-Nova. Esta assimetria cria oportunidades para quem procura habitação acessível longe dos grandes centros — e representa um desafio para quem precisa de habitar nas áreas metropolitanas.
Onde encontrar mais dados por concelho
Cada uma das fichas de concelhos de Portugal inclui a avaliação bancária atualizada, evolução histórica, ganho médio mensal, desemprego, poder de compra e outros indicadores. Podes também consultar os distritos de Portugal para uma visão agregada por região.